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Budismo tibetano

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Um dos altares no monastério Palpung Sherab Ling, no norte da Índia. Imagem: Palpung Sherab Ling.

O objetivo da meditação budista em geral é revelar a iluminação que já existe de forma latente em nós. O que costuma ser chamado de “iluminação”, ao final do “caminho”, é a realização final e conclusiva disso.

O budismo tibetano em particular se caracteriza externamente pelos diversos métodos contemplativos usados, separados ou em conjunto, para esse fim:

  • renúncia em relação ao sofrimento cíclico;
  • cultivo de compaixão universal;
  • cultivo de devoção e visão pura;
  • filosofia e análise sobre a natureza da realidade;
  • meditações com deidades e mantras;
  • rituais etc.

Já no aspecto interno simultâneo, tentamos lidar adequadamente com os padrões habituais que nos impedem de reconhecer a natureza-buda inerente, tanto em nós quanto em todos os fenômenos. Chegar a essa realização é o que permite a expressão completa de uma atividade compassiva universal, inseparável da natureza-buda, que age pelo benefício de todos os seres.

Outra característica do budismo do Tibete em particular é a prática — no início, sequencial e, depois, simultânea — dos Três Veículos, que formam a abordagem tibetana para as etapas ou ênfases do caminho (e essencialmente não se referem a outras escolas budistas):

  • Shravakayana — Focado na renúncia sobre o sofrimento cíclico e no refúgio nas Três Joias (Buda, Dharma e Sangha);
  • Mahayana — Enfatiza a compaixão universal e a sabedoria da vacuidade;
  • Vajrayana — Especializado em métodos para revelar a natureza-buda primordial, como devoção intensa, mandalas externas e internas de deidades, e instruções diretas sobre a natureza da mente.

História#

A história do budismo tibetano começa no século 7, com os primeiros textos e artefatos budistas que chegaram ao Tibete de países vizinhos.

Desde então, diversos mestres vindos da Índia e locais próximos visitaram o país, e seus discípulos tibetanos iniciaram diferentes tradições. Houve também tibetanos que foram à Índia e Nepal estudar e praticar o budismo, e trouxeram linhagens, além de tibetanos que inauguraram tradições com base em ênfases específicas.

A linhagem tibetana preservou algumas das tradições budistas praticadas na Índia entre os séculos 8 e 13, e que acabaram sendo extintas em sua terra natal.

Entre as diversas formas de classificar as tradições tibetanas, a mais comum é a seguinte, que se baseia nas comunidades que se formaram:

  • Nyingma – A mais antiga, derivada do mestre Padmasambhava que visitou o Tibete no século 8.
  • Marpa Kagyu – Se refere às diversas tradições que se formaram a partir dos discípulos do tibetano Marpa, que estudou na Índia com o mahasiddha Naropa, entre outros. Inclui as escolas Karma Kagyu, Drukpa Kargyu, Drikung e Taklung Kagyu.
  • Shangpa Kagyu – Linhagem fundada pelo tibetano Khyungpo Naljor, que também estudou na Índia com diversos mestres.
  • Sakya – Linhagem iniciada pelo tibetano Drogmi Lotsawa, que estudou na Índia e Nepal, e seu discípulo Khon Konchog Gyalpo.
  • Gelug – Tradição fundada pelo lendário erudito e meditador Tsongkhapa. Essa é a tradição dos Dalai Lamas.
  • Jonang – Tradição que começou como uma ramificação Sakya, tornando-se depois autônoma, com ênfase no Tantra Kalachakra.
  • Bön – É a tradição espiritual que antecede o budismo no Tibete e continua viva até hoje.

linhagem Palpung, deste centro, se conecta principalmente com a escola Karma Kagyu, tendo também forte ligação com as linhagens Shangpa e Nyingma.

Oito linhagens de prática#

Uma outra forma de classificar as tradições budistas tibetanas é a das Oito Carruagens, que se baseia nas práticas e ensinamentos únicos de cada linhagem, em vez das instituições e comunidades que se formaram:

  • Nyingma – Dzogchen, Tantra Guhyagharba, Oito Comandos, termas etc. Os diversos aspectos da tradição de Padmasambhava não se restringem à escola Nyingma, estando bastante presente também nas escolas Kagyu, além de Gelug e Sakya.
  • Kadam – Lojong, Lamrim, 16 Esferas etc. Tradição inaugurada pelo tibetano Dromtönpa com base nos ensinamentos do pandita indiano Atisha. Deixou de existir como uma linhagem separada, sendo absorvida pelas outras escolas (Gelug, particularmente).
  • Lamdre – Práticas ligadas ao estágio da consumação do Tantra Hevajra, na linhagem do mahasiddha Virupa (transmitida na escola Sakya).
  • Marpa Kagyu – Seis Dharmas de Naropa e Mahamudra (derivações também presentes na escola Gelug), linhagem oral de Chakrasamvara, termas de Rechungpa etc.
  • Shangpa Kagyu – Cinco Dharmas Dourados (presentes também na escola Jonang e, em menor grau, Gelug), linhagem de Sukhasiddhi etc.
  • Seis Aplicações – Instruções essenciais para o Tantra Kalachakra (transmitida principalmentemente pelas escolas Jonang e Gelug).
  • Pacificação e Chöd – Linhagens do siddha indiano Padampa Sangye e da tibetana Machik Labdron (a tradição de Padampa quase desapareceu; já a de Chöd foi absorvida pelas outras escolas, especialmente, Kagyu).
  • Aproximação e Realização dos Três Vajras – Práticas do estágio da consumação do Tantra Kalachakra que o tibetano Urgyenpa trouxe de Uddiyana (linhagem mantida principalmente na escola Drukpa Kargyu).

Para saber mais#

Na página Textos de referência, há ensinamentos e escrituras que podem dar uma ideia geral sobre o que é praticado nesta tradição.