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Capítulo 9 – Adoção perfeita da mente do despertar#

2. Essência#

O segundo ponto1 sobre a mente do despertar trata da essência de seu cultivo: uma aspiração pela iluminação completa e perfeita. Sobre isso, o Ornamento da Realização afirma:

Dar nascimento à boditchita é desejar a iluminação
completa e perfeita para o benefício alheio.

3. Categorias#

A explicação do cultivo da mente do despertar sublime se divide em três categorias: através de exemplos, das diferenças entre os níveis de realização e através de suas características.

Exemplos#

A explicação do princípio da boditchita através de exemplos — desde o nível de uma pessoa comum até a budeidade — foi proclamada pelo eminente Maitreya no Ornamento da Realização:

Há 22 categorias (para a boditchita): terra, ouro,
lua, fogo, tesouro, mina de joias, oceano, diamante,
montanha, remédio, mestre espiritual,
joia que realiza desejos, sol, música, rei,
caixa de riquezas, estrada, montaria,
reservatório d’água, som melodioso, rio e nuvem.

Estes 22 exemplos cobrem desde a aspiração sincera até a realização do dharmakaya. A seguir, está sua correspondência com os Cinco Caminhos2.

A boditchita dotada de aspiração sincera é como a terra, já que é uma base substancial para todas qualidades positivas. Dotada de compromisso, é como ouro, pois não mudará até a iluminação. Dotada de um compromisso extraordinário, é como a lua crescente, já que todas as virtudes se multiplicarão. Estes três exemplos constituem o estágio iniciante, correspondente aos níveis menor, médio e maior do Caminho da Acumulação.

A boditchita dotada de aplicação é como o fogo, pois incinera os obscurecimentos às três sabedorias3. Isto constitui o Caminho da Junção.

A mente do despertar dotada com a perfeição da generosidade4, é como um grande tesouro que satisfaz todos os seres sencientes. Com a perfeição da disciplina, é como uma mina de joias, pois atua como a base substancial para qualidades preciosas. Dotada de paciência, é como o grande oceano, já que todas as coisas indesejáveis que surgirem não perturbarão. A boditchita dotada de diligência é como um diamante, já que, por ser indestrutível, não se corrompe. Dotada de concentração, é como a maior montanha, pois os objetos de distração não irão movê-la. Dotada de sabedoria, é como o remédio que cura a doença dos obscurecimentos cognitivo e das aflições. Quando possui meios hábeis, a boditchita é como um mestre espiritual, que não abandona seres em nenhuma circunstância. Dotada de aspiração, é como a joia que realiza desejos — o resultado de qualquer aspiração é realizado. Dotada de aptidão, é como o sol, porque possibilita o amadurecimento completo das pessoas a serem treinadas. A perfeição da sabedoria primordial é como a música do Dharma, pois inspira discípulos com os ensinamentos. Estes dez exemplos abrangem respectivamente o nível Deleite5 até o 10º bhumi bodisatva, integrando os caminhos da visão e da familiarização.

A boditchita dotada de clarividência é como um grande rei, que realiza o benefício alheio sem impedimentos ao seu poder. Junto com mérito e sabedoria primordial, é como uma caixa de riquezas, que gera um tesouro de grandes acumulações. Dotada das qualidades alinhadas com o despertar, é como uma ampla estrada, por onde passaram eminentes bodisatvas, que seguiremos. Com compaixão e visão profunda, é como a montaria que conduz facilmente, sem desviar para o samsara ou nirvana6. Dotada de “dharani7” e confiança, é como um reservatório d’água, pois o Dharma recebido é retido e jamais se esgota. Estes cinco exemplos constituem o caminho especial8 bodisatva.

A boditchita que possui o “encantador jardim do Dharma” é como um som melodioso que soa de modo cativante para praticantes que aspiram pela liberação. Dotada do caminho único (da budeidade), é como a corrente de um rio — a atividade de beneficiar seres não degenera. A boditchita com o dharmakaya é como uma nuvem de chuva, já que dependem dela os atos que beneficiam os seres — os 12 Atos de um buda9, como residir no Paraíso de Tushita e tudo mais. Estes três exemplos constituem o nível da budeidade.

Assim, esses 22 exemplos abrangem desde o nível iniciante até a realização da budeidade.

Diferentes níveis de realização#

A explicação de acordo com a demarcação de níveis de realização se divide em quatro: cultivo da boditchita dotado de aspiração, dotado de intenção extraordinária, cultivo plenamente amadurecido e cultivo em que obscurecimentos foram abandonados.

O primeiro abrange os estágios cuja atitude é de aspiração. O segundo (intenção extraordinária) se refere ao 1º nível bodisatva até o 7º. O terceiro (cultivo amadurecido) se refere ao 8º até o 10º níveis. O quarto (abandono de obscurecimentos) é a budeidade. Sobre isso, o Ornamento dos Sutras Mahayana menciona:

Uma outra maneira de estabelecer
os níveis do cultivo da boditchita é:
aspiração, intenção extraordinária,
amadurecimento completo
e abandono de obscurecimentos.

Características#

A explicação conforme as características se divide em duas: boditchita absoluta e relativa. Nesse sentido, o Sutra da Explicação Definitiva da Sabedoria Iluminada diz:

A mente do despertar tem dois aspectos:
boditchita absoluta e relativa.

— Então como é a boditchita absoluta?

É a vacuidade cuja essência é compaixão, uma lucidez imperturbável livre da limitação de fabricações mentais. Esse mesmo sutra afirma:

Sobre isso, a boditchita absoluta transcende o mundo transitório, está livre da limitação de conceitos, é intensamente lúcida, é o sujeito absoluto, sem máculas, imperturbável, absolutamente clara, como a continuidade da chama de uma vela
protegida do vento.

— E como é a mente do despertar relativa?

O mesmo sutra diz:

A boditchita relativa é o compromisso, pela compaixão, de retirar todos os seres sencientes do ciclo de sofrimento.

Sobre isso, o Ornamento dos Sutras Mahayana explica que a boditchita absoluta é a realização da natureza da realidade, enquanto a mente do despertar relativa surge ao recebê-la simbolicamente em um ritual genuíno.

— Em que situação há boditchita absoluta?

O Comentário do Ornamento dos Sutras Mahayana diz:

O nascimento da boditchita absoluta acontece no 1º bhumi, Deleite Intenso.

Já a mente do despertar relativa se divide em duas: boditchita da aspiração e da aplicação. Sobre isso, Engajamento na Ação Bodisatva ensina:

Em resumo, a mente do despertar
deve ser entendida em dois aspectos:
boditchita da aspiração e
a boditchita da aplicação de fato.

Esses dois aspectos da mente do despertar relativa ainda podem ser explicados de diversas outras maneiras.

Na tradição do eminente Manjushri, recebida por atcharya Nagarjuna, que chegou à linhagem de atcharya Shantideva, é explicado que a aspiração é como um desejo de ir, sendo a intenção que anseia por realizar a budeidade perfeita. Já a aplicação é como ir de fato, sendo a aplicação daquilo que realiza a budeidade. Sobre isso, Engajamento na Ação Bodisatva diz:

A diferença entre desejar viajar
e viajar de fato: dessa maneira a pessoa
instruída deve reconhecer a diferença
entre essas duas etapas (aspiração e aplicação).

Já na tradição do eminente Maitreya, recebida por atcharya Asanga, que chegou à linhagem do grandioso Serlingpa, é explicado que a aspiração é se comprometer com o resultado, pensando: “Para o benefício de todos os seres sencientes, vou realizar a budeidade perfeita.” A aplicação é a atitude comprometida com a causa, pensando: “Vou treinar nas Seis Perfeições como sendo a causa da budeidade.” Concordando com esse significado, a Compilação do Abidharma menciona:

Entre quem cultiva boditchita, há dois tipos: pessoas sem excelência ou especialmente eminentes. Aquelas sem excelência pensam: “Que tristeza esse sofrimento! Que eu possa realizar completamente a insuperável budeidade perfeita.” Pessoas especialmente eminentes pensam: “Para realizar a budeidade, que eu possa efetivar completamente desde a perfeição da generosidade até a perfeição da sabedoria.”

Isso conclui a explicação das categorias do cultivo da boditchita, conforme exemplos, diferentes níveis de realização e suas características.

4. Focos do cultivo da boditchita#

Os focos do cultivo da boditchita são a iluminação e o benefício de seres sencientes. Sobre isso, o texto Níveis Bodisatva diz:

Então quem cultiva a mente do despertar são aquelas que miram a iluminação e os seres sencientes.

Aquilo que é chamado de “foco na iluminação” é se concentrar na busca pela sabedoria primordial Mahayana. O capítulo sobre o cultivo da boditchita do Ornamento do Sutras Mahayana afirma:

Desse modo, esse é o foco na busca da sabedoria primordial.

Aquilo que é chamado de “foco nos seres sencientes” não se refere a um ser senciente, dois ou alguns. Onde quer que o espaço permeie, isso está permeado de seres sencientes. Onde quer que eles permeiem, isso está permeado de karma e aflições. Onde quer que eles permeiam, isso está permeado de sofrimento. O cultivo da mente do despertar é realizar a atividade que dissipa o sofrimento desses seres. Sobre isso, a Aspiração da Conduta Excelente menciona:

Onde quer que estejam os limites do espaço,
ali está o limite de todos os seres sencientes.
Esse é o limite do karma e das aflições,
sendo também exatamente o limite
da minha aspiração.

5. Causas para o nascimento da boditchita#

Sobre as causas da boditchita, o Sutra dos Dez Dharmas diz:

Quatro causas fazem surgir essa mente: perceber os benefícios da própria mente do despertar, fé no Tathagata, perceber o sofrimento de seres sencientes e o encorajamento correto do mestre espiritual.

O texto Níveis Bodisatva também descreve quatro causas:

“Quais são as quatro causas para isso?” A descendência mais excelente é a primeira causa para o nascimento da mente bodisatva. Ter a proteção completa do Buda, bodisatvas e do professor espiritual é a segunda causa para o nascimento da mente bodisatva. A compaixão por seres sencientes é a terceira causa para o nascimento da mente bodisatva. O destemor diante dos sofrimentos da existência cíclica e de austeridades — mesmo que durem bastante, sejam intensos, diversos e ininterruptos — é a quarta causa para o nascimento da mente bodisatva.

O Ornamento dos Sutras Mahayana menciona causas separadas para os dois tipos de boditchita: há o nascimento da boditchita após recebê-la simbolicamente em um ritual genuíno, e o nascimento da boditchita absoluta. Sobre o primeiro tipo, essa escritura afirma:

É ensinado que, pelo poder da companhia,
da causa, da raiz, de aprender e da habituação na virtude, a boditchita nasce instável ou estável,
transmitida por outra pessoa.

“Transmitida por outra pessoa” significa que o nascimento da boditchita se dá através da intervenção de outra pessoa. Ela também é chamada de mente do despertar “que surge através de um símbolo genuíno10”. Essa é a boditchita relativa.

Sobre a expressão “pelo poder da companhia”, essa mente surge devido à presença do mestre espiritual. Ela também pode nascer “pelo poder da causa”, devido ao poder da descendência (Mahayana) da pessoa. Ou também “pelo poder da raiz”, através do florescimento dessa descendência. Ou então ela nasce “pelo poder de aprender”, devido às explicações sobre os diversos ensinamentos. Ou então “pela habituação na virtude”, devido a constantemente se engajar em ouvir, compreender e incorporar o Dharma.

Entre essas categorias, a boditchita que surge pelo poder da companhia é instável. Já a que surge pelo poder da causa e as demais são estáveis.

Sobre a causa do nascimento da boditchita absoluta, é dito (no Ornamento dos Sutras Mahayana):

Deleitar perfeitamente budas11 perfeitos
e acumular completamente mérito e sabedoria
— a sabedoria primordial sobre a realidade
que nasce assim é absoluta.

Ou seja, a boditchita absoluta nasce de um estudo de escrituras, prática e realização extraordinárias.

6. Fonte dos votos#

Sobre a fonte de onde receber o voto bodisatva, há duas maneiras: quando há um mestre espiritual e quando não há.

Caso encontrar pessoalmente esse mestre não envolva nenhum risco de vida ou obstáculo para a pureza de conduta12, havendo um mestre espiritual, mesmo que ele esteja muito distante, é preciso encontrá-lo e receber os votos dele.

As características desse mestre espiritual são: maestria no ritual de transmissão dos votos; tendo recebido-os, mantê-los sem degeneração; ter o poder de transmitir o entendimento sobre o significado das palavras e gestos da cerimônia; benevolência e cuidado com as pessoas em treinamento, sem decair na preocupação com bens materiais. Sobre isso, a Tocha Para o Caminho da Iluminação afirma:

Receba os votos de um mestre excelente,
que possui perfeitamente as características:
alguém que é hábil na cerimônia dos votos
que ela mesma mantém, que tem paciência
e compaixão ao transmiti-los. Essa pessoa
deve ser reconhecida como um mestre excelente.

O texto Níveis Bodisatva também diz:

Para poder semear a intenção bodisatva, é preciso agir conforme o Dharma, ter recebido os votos, ser instruída, compreender o significado das palavras proferidas e ter o poder de transmitir o entendimento.

O recebimento dos votos “quando não há um mestre espiritual” se refere à situação em que há um mestre desse tipo nas proximidades, mas ir até sua presença envolve riscos à vida ou à pureza de conduta. Nesse caso, diante de uma representação do Tathagata, recite três vezes do fundo do coração o voto da boditchita da aspiração ou aplicação — conforme o que for receber. Assim, o voto de aspiração ou aplicação é obtido. Sobre isso, o texto Níveis Bodisatva ensina:

Caso não haja uma pessoa com essas qualidades, diante de uma imagem do Tathagata, bodisatvas devem assumir completamente o voto da disciplina bodisatva por si só.

Se não for encontrado nem um mestre nem uma imagem, ao meditar que budas e bodisatvas estão realmente no espaço à frente, recitando as palavras do voto da boditchita da aspiração ou aplicação três vezes, ele é obtido. Sobre isso, a Compilação de Todos os Preceitos menciona:

Ou então, se não houver um professor assim, meditando que budas e bodisatvas que residem nas dez direções estão realmente presentes, o voto deve ser tomado aplicando a própria habilidade.

7. Cerimônia#

Sobre o ritual para a adoção da mente do despertar, surgiram diversas tradições a partir das linhagens de instrução de mestres sábios. Entre elas, neste contexto, duas devem ser conhecidas: a tradição do eminente Manjushri, recebida por atcharya Nagarjuna, que chegou à linhagem de atcharya Shantideva; e a do eminente Maitreya, recebida por atcharya Asanga, que chegou à linhagem do grandioso Serlingpa.

Tradição de Shantideva#

Na linhagem de Manjushri-Nagarjuna-Shantideva, há três partes para a cerimônia: preparação, parte principal e conclusão.

Preparação#

Há seis partes13 na preparação: fazer oferendas, confissão de atos negativos, regozijo na virtude, pedido para girar a roda do Dharma, súplica para que budas e bodisatvas não passem ao nirvana e dedicação do mérito.

  1. Oferendas

Sobre fazer oferendas, é preciso entender tanto os destinatários quanto as oferendas em si. Sobre os destinatários, as oferendas são para as Três Joias, tanto as que estão realmente presentes quanto as que não estão. Já que o mérito é o mesmo em ambos os casos, essas duas oferendas são feitas. Sobre isso, o Ornamento dos Sutras Mahayana afirma:

Com a mente plenamente pura,
para completar as duas acumulações,
ofereça mantos e tudo mais a budas
presentes de fato ou não.

Também há dois tipos de oferendas: superáveis e insuperáveis. As oferendas superáveis também se dividem em duas: oferendas materiais e a oferenda da prática.

Oferendas materiais são prostrações, louvores, artigos materiais arranjados ordenadamente, bens excelentes que não possuem dono, oferendas criadas na mente e o próprio corpo. Elas devem ser conhecidas em detalhes14.

A oferenda da prática é a meditação Mahamudra na forma de deidades ou os arranjos de oferendas surgidos a partir do samadhi de bodisatvas.

A oferenda insuperável pode ter um foco ou não. A oferenda insuperável com foco é o cultivo da boditchita, assim como é ensinado:

Quando uma pessoa instruída medita na mente do despertar, isso é uma oferenda sublime ao Vitorioso e sua descendência.

A oferenda insuperável sem foco é a suprema meditação na natureza da ausência de identidade. Sobre isso, o Sutra Solicitado Pelo Filho dos Deuses Susthitamati diz:

Se uma pessoa bodisatva que aspira pela iluminação oferecer ao Buda, o ser humano sublime, flores, incensos, comida e bebida, em número igual aos grãos de areia do Ganges por dez milhões de eras cósmicas; e outra bodisatva, após receber o ensinamento sobre a não existência de nenhuma identidade e da própria pessoa que vive, ter a realização que sustenta tal lucidez radiante, é ela que faz a melhor oferenda ao ser sublime.

E o Sutra do Grande Rugido do Leão menciona:

Não criar categorizações mentais ou realidades conceituais é uma oferenda ao Tathagata. Não adotar ou rejeitar, adentrando a não dualidade, é uma oferenda ao Tathagata. Pessoas amigas! Já que a própria característica do corpo do Tathagata é não ser uma entidade, não é apropriado fazer oferendas mantendo a ideia de que ele é algo.

Isso conclui a seção sobre fazer oferendas.

  1. Confissão de atos negativos

Em geral, todos os atos negativos dependem de uma motivação da mente. A mente é a autoridade; corpo e fala são os servos. Sobre isso, a Guirlanda Preciosa ensina:

Já que todos os fenômenos são precedidos pela mente,
ela é referida como sendo a “mandante”.

Assim, é através da motivação com desejo, raiva e outras aflições que alguém comete os cinco atos de consequência imediata, seus cinco atos similares15, as dez desvirtudes, as transgressões de votos e samaya16; ou então a pessoa estimula outras a cometerem isso, ou se regozija quando alguém as comete. Isso é o que é chamado de desvirtudes e atos negativos.

Além disso, mesmo receber o Dharma, contemplar e meditar, se isso for feito com uma motivação de desejo, raiva e outras aflições, também são desvirtudes — o resultado é o surgimento de sofrimento. Sobre isso, a Guirlanda Preciosa afirma:

Apego, raiva e ignorância.
Disso surge a desvirtude.
Da desvirtude vem todo sofrimento,
assim como todos os destinos inferiores.

E Engajamento na Ação Bodisatva diz:

“Da desvirtude vem o sofrimento.
Como se livrar de vez disso?”
Dia e noite, constantemente, contemplar
apenas isso será adequado para mim.

Então todos os atos negativos devem ser confessados.

— Mas confessar realmente purifica?

Absolutamente sim. O Sutra do Grande Nirvana ensina:

Embora um ato negativo tenha sido cometido, o subsequente arrependimento o corrige, do mesmo modo que certas joias clareiam a água turva, ou como a lua surge brilhante ao se separar das nuvens.

Também diz:

Então o arrependimento em relação a atos negativos e sua confissão, que não mantém nada oculto, do mesmo modo, irão purificar.

Como é feita a confissão? Ela é feita com os Quatro Poderes. Sobre isso, o Sutra dos Quatro Dharmas afirma:

Maitreya, grandes seres bodisatvas que possuem os quatro dharmas, ao cometerem atos negativos e acumular karma, subjugarão isso. Quais são esses quatro? São eles: aplicação do arrependimento, aplicação do antídoto, o poder de reverter transgressões e o poder do suporte.

Aplicação do arrependimento

A aplicação do arrependimento é admitir abertamente diante dos objetos de refúgio, após dar nascimento a um arrependimento intenso pelos atos negativos cometidos.

— Sobre isso, como fazer para se arrepender?

Há três maneiras de cultivar arrependimento: examinar a falta de sentido desses atos, examinar o medo e examinar a necessidade urgente de abandonar isso.

Exame da falta de sentido de atos negativos

“Os atos negativos que cometi, às vezes, foram para punir inimigos; às vezes, para cuidar de pessoas amigas; às vezes, para o sustento de meu corpo; às vezes, para acumular bens. Mas, quando morrer e nascer em outro lugar, não levarei pessoas inimigas, amigas, lugares, meu corpo ou bens; já o karma negativo desses atos me acompanhará e se erguerá como meus carrascos onde quer que eu renasça.”

Sobre isso, o Sutra Solicitado Pelo Leigo Viradatta ensina:

Pai, mãe, irmãs, irmãos, crianças, cônjuge,
serviçais, bens, amizades e parentes
não acompanham as pessoas que morrem,
mas seu karma sim as segue.

Também diz:

Quando chegar a hora do grande sofrimento,
crianças e cônjuges não darão proteção.
Terei que experimentar o sofrimento só,
essas pessoas não receberão o que é
destinado para mim.

Engajamento na Ação Bodisatva ainda afirma:

Teremos que abandonar tudo
ao morrer. Ignorando isso, para
beneficiar amizades e prejudicar inimizades,
cometi muitas ações negativas.

No entanto, todos inimigos deixarão
de existir, assim como todas as pessoas amigas.
Eu mesmo deixarei de existir,
assim como todas as outras.

“Desse modo, cometi negatividades em nome de quatro coisas: pessoas inimigas e amigas, meu corpo e bens materiais. Essas quatro não estarão comigo por muito tempo. Tais atos negativos causam muita adversidade, em nome de ninharias.” Contemplar isso faz surgir um arrependimento intenso.

Exame do medo resultante de atos negativos

Poderia ser imaginado:

— Apesar de esses atos não terem sentido, eles não vão me prejudicar.

Então vem o segundo ponto: é preciso cultivar arrependimento examinando o medo que resulta de atos negativos. São três momentos de terror para quem os comete: quando a morte se aproxima, durante o processo de morrer e depois.

Quando a morte se aproxima, pessoas que cometeram muitos atos negativos experimentarão sofrimentos insuportáveis, co-mo o da vida sendo cortada, assim como é dito (em Engajamento na Ação Bodisatva):

Em meu leito final, estarei
rodeado pela família e amizades.
Mas as sensações da vida sendo cortada,
sou eu quem experimentarei sozinho.

Durante o processo de morrer, o terror resultante de atos negativos envolve o Senhor da Morte e seus soldados, seres malignos furiosos carregando cordas para amarrar no pescoço e arrastar a pessoa até o inferno. Mais tarde, haverá os inúmeros ferimentos e lesões causados pelos porretes, facões e outras armas que eles portam. Sobre isso é dito (no mesmo texto):

Refém dos soldados do Senhor da Morte,
de que me servirão familiares e amizades?
Nessa hora, mérito é a única proteção
e, no entanto, com isso não poderei contar.

Carta a um Amigo também menciona:

Amarrando o laço da morte em meu pescoço,
os guardas brutais de Yama espancam
com porretes e me arrastam.

É possível que alguém imagine:

— Eu não tenho medo dos guardas do Senhor da Morte.

Então contemple assim (Engajamento na Ação Bodisatva):

A pessoa que é escoltada ao local
de seu esquartejamento tem sua aparência
transfigurada: está aterrorizada, com a boca seca,
veias dos olhos saltadas e tudo mais.

O que será então de mim,
atormentada de pavor e doença,
completamente destituída, capturada pelas
formas horripilantes dos guardas da Morte?

Em relação ao medo resultante de atos negativos depois da morte, após a queda nos grandes infernos, a pessoa experimenta o sofrimento insuportável de ser cozinhada e queimada. Por isso, há terror intenso, assim como é dito (Carta a um Amigo):

Se surge medo apenas ao olhar ilustrações do inferno,
lembrar dele, ler sobre ou ver representações,
não é preciso mencionar o intolerável amadurecimento
do karma que é de fato ali vivenciado.

Já que o resultado de ações negativas é assim extremamente aterrorizante, o arrependimento deve ser cultivado.

Necessidade urgente de abandonar atos negativos

É possível que alguém imagine:

— Posso confessar esses atos depois?

Não, é preciso fazer isso com urgência.

— Por que isso?

Porque há a possibilidade de morrer antes de purificar essas negatividades. Sobre isso, é ensinado (em Engajamento na Ação Bodisatva):

É possível que eu morra antes
de purificar minhas negatividades.
Nesse caso, como me libertarei? Por favor,
agilmente concedam-me proteção!

É possível alguém pensar:

— Mas não vou morrer antes de purificar os atos negativos.

Para esse demônio, o Senhor da Morte, não importa se alguém purificou as negatividades ou não. Na primeira oportunidade, ele toma a vida. A hora da morte é incerta. Por isso, é dito (no mesmo texto):

Não há como confiar na morte:
independente de termos nos purificado ou não,
ela não espera. Na saúde ou doença,
ninguém pode contar com esta vida fugidia.

Então já que é possível morrer sem ter purificado as negatividades por não saber qual será a duração da vida, purificá-las é algo urgente. Admitindo a possibilidade dessa desgraça, cultive arrependimento.

Através desses três motivos (falta de sentido dos atos negativos, medo e a necessidade urgente de abandoná-los), ao surgir arrependimento pelas negatividades cometidas, confesse-as abertamente diante das fontes de refúgio especiais ou comuns.

Sobre essa purificação de atos negativos através do poder da aplicação do arrependimento, é dito (no Sutra do Sábio e o Tolo):

Por exemplo, é como se aproximar com medo
de alguém com quem temos dívidas e suplicar.

Havia uma pessoa maligna chamada Angulimala, que carregava a negatividade de ter assassinado 999 pessoas. No entanto, ao praticar o poder da aplicação do arrependimento, purificou esses atos e obteve a realização arhat. Sobre isso, é ensinado (Carta a um Amigo):

Uma pessoa que era negligente
e, depois, se torna cuidadosa
é bela como a lua que se afasta das nuvens,
como Nanda, Angulimala, Ajatashatru e Udayana17.

Aplicação do antídoto

Sobre o poder da aplicação do antídoto, a conduta que realiza virtudes remedia ações negativas, extinguindo contaminações. A Compilação do Abidharma afirma:

Quando há o poder de ações que atuam como antídotos, mesmo que o resultado dessas ações negativas já tenha começado a aparecer, ele se transforma completamente, através do poder remediador.

Sobre isso, a escritura Tesouro do Tathagata afirma também que a meditação na vacuidade purifica atos negativos. O Sutra Cortador de Diamante diz que a recitação das profundas escrituras as purifica. Em Arranjo Real dos Três Compromissos e no Sutra Solicitado por Subahu, é dito que a recitação de mantras secretos purifica atos negativos. O Dharani Monte de Flores diz que oferendas às estupas do Tathagata as purifica; e o capítulo sobre os corpos do Tathagata diz que construir representações sagradas purifica negatividades. Em outros ensinamentos, é dito que ouvir, ler e transcrever o Dharma — ou quaisquer outras ações virtuosas preferidas — purificam atos negativos. Nesse sentido, é dito nas escrituras do Vinaya:

A pessoa que cometeu um ato negativo
e o neutralizou com virtude
reluz neste mundo,
como a lua que surge das nuvens.

— Então, se a prática da virtude atua como um antídoto para ações negativas, isso significa que é preciso realizar a mesma quantidade de virtude que a negatividade cometida?

Não é preciso. O Sutra do Grande Nirvana afirma:

Mesmo uma única ação positiva destrói muitas negatividades.

Também diz:

Assim como um pequeno vajra destrói uma grande montanha, uma pequena fogueira consome florestas,
e um pouco de veneno mata seres sencientes, desse mesmo modo, um pequeno ato de virtude acaba com atos negativos imensos. Por isso, é algo que devemos sempre realizar.

O Sutra da Sagrada Luz Dourada ainda menciona:

Uma pessoa que cometeu negatividades
intensas insuportáveis por milhares de eras,
ao confessar perfeitamente
uma única vez, purificará tudo.

Sobre essa purificação de atos negativos através do poder da aplicação do antídoto, é ensinado (no Sutra do Sábio e o Tolo):

Por exemplo, é como uma pessoa atolada em um pântano de vômito que sai dali, se lava e é ungida com perfumes.

Havia antigamente um jovem perverso chamado Udayana que matou a própria mãe. Ao praticar o poder da aplicação do antídoto, purificou seus atos negativos, renasceu como uma divindade e realizou o resultado eminente da entrada na corrente18. É por isso que é dito:

Uma pessoa que era negligente
e, depois, se torna cuidadosa
é bela como a lua que se afasta das nuvens,
como Nanda, Angulimala, Ajatashatru e Udayana

Poder de reverter transgressões

Sobre o poder de reverter transgressões, a pessoa se compromete a não mais cometer ações negativas temendo o amadurecimento do karma. Sobre isso, é dito (em Engajamento na Ação Bodisatva):

Ó Sagrados Guias, por favor acolham-me,
uma pessoa com tantas degenerações!
Já que estas ações não são boas,
no futuro não mais as cometerei.

Sobre essa purificação de atos negativos através do poder de reverter transgressões, é dito (no Sutra da Descida de Nanda ao Útero):

Por exemplo, é como mudar o curso de um rio perigoso19.

Havia antigamente um monge chamado Nanda, que carregava a transgressão de alimentar desejo por mulheres. Ao praticar o poder de reverter transgressões, purificou as negatividades e obteve a realização arhat. É por isso que é dito:

Uma pessoa que era negligente
e, depois, se torna cuidadosa
é bela como a lua que se afasta das nuvens,
como Nanda, Angulimala, Ajatashatru e Udayana.

Poder do suporte

O poder do suporte é se refugiar na proteção das Três Joias e dar nascimento à boditchita sublime. Sobre essa purificação de atos negativos através do refúgio, a Declaração de Realização de Phagmo diz, entre mais menções:

As pessoas que se refugiaram no Buda
não irão para destinos inferiores.
Ao deixar para atrás seus corpos humanos,
elas obtêm corpos divinos.

E o Sutra do Grande Nirvana afirma:

Ao se refugiar nas Três Joias,
o destemor é conquistado.

Sobre essa purificação de atos negativos através do cultivo da boditchita, o eminente Sutra da Exibição da Árvore diz:

Isso extingue todas as desvirtudes, como enterrar algo profundamente na terra. Incinera todas as transgressões, como o fogo no final de uma era cósmica.

Engajamento na Ação Bodisatva também afirma:

Mesmo quem tiver cometido negatividades muito graves será libertada instantaneamente,
do mesmo modo que alguém é protegido
de grandes perigos por um bravo guerreiro.
Por que as pessoas preocupadas não se guardam assim?

Sobre essa purificação de atos negativos através do poder do suporte, uma escritura diz:

O refúgio age como no exemplo de alguém forte ajudando uma pessoa mais fraca, já o cultivo da boditchita é exemplificado por um mantra que neutraliza a ação de um veneno20.

Antigamente, havia um príncipe perverso chamado Ajatashatru que matou o próprio pai. No entanto, praticando o poder do suporte, purificou as negatividades e se transformou em um bodisatva. Por isso, é dito:

Uma pessoa que era negligente
e, depois, se torna cuidadosa
é bela como a lua que se afasta das nuvens,
como Nanda, Angulimala, Ajatashatru e Udayana.

Como cada um desses poderes já purifica as ações negativas, não é preciso dizer o que os quatro juntos podem fazer.

Os sinais da purificação de negatividades realizada neste tipo de confissão e reparação surgem em sonhos. O Dharani de Encorajamento (citado na Compilação de Todos os Preceitos) afirma:

Está havendo libertação em relação a atos negativos quando sinais como os seguintes aparecem em sonhos: vomitar alimento ruim, beber coisas como iogurte e leite, ver o sol e a lua, voar pelo céu, uma fogueira queimando, ver um búfalo, ver uma pessoa negra poderosa, ver a Sangha de monges ou monjas, uma árvore que produz leite, elefantes, touros imponentes, subir em uma montanha, em um trono de leão ou mansão, e escutar o Dharma.

Isso conclui a explicação sobre a confissão de atos negativos.

  1. Regozijo na virtude

Regozijar na virtude é cultivar a alegria que aprecia o mérito de todos outros seres que realizaram virtudes em todos os três tempos. Cultive esse deleite assim:

“Regozijo-me com todas as raízes de virtude acumuladas por inumeráveis budas que vieram de todas as direções no passado, impossíveis de calcular e inconcebíveis, desde a geração inicial da mente do despertar — realizando as duas acumulações e purificando os dois tipos de obscurecimentos — até a budeidade completa e manifesta. Regozijo-me também com as raízes de virtude após a budeidade: o giro da roda do Dharma sagrado, a atividade de amadurecer as pessoas em treinamento e de não passar ao nirvana final. Regozijo-me com as raízes de virtude desde o nirvana até o desaparecimento do Ensinamento, e também com a virtude de quaisquer bodisatvas atuando nesse intervalo. Regozijo-me na acumulação de raízes de virtude de todos eminentes pratyekabudas, shravakas e pessoas comuns.”

Faça assim também com a virtude no presente e no futuro desses seres, cultivando regozijo. Sobre isso, é ensinado (Engajamento na Ação Bodisatva):

Regozijo-me na iluminação dos Protetores
e na realização dos bhumis
de sua descendência bodisatva.

  1. Pedido para girar a roda do Dharma

Sobre suplicar para que a roda dos ensinamentos seja girada, agora mesmo, nos mundos das dez direções, há muitos budas que não estão proclamando o Ensinamento. Eles fazem isso para incentivar a reverência pela Joia do Dharma e permitir a acumulação perfeita de mérito das pessoas que vão pedir. Dirigindo-se a tais budas, peça para que o Dharma seja ensinado. Sobre isso, é dito (Engajamento na Ação Bodisatva):

Com mãos em prece, suplico
a budas de todas as direções:
acendam a luz do Dharma sobre
a atitude cega de seres em sofrimento.

  1. Súplica para que budas não passem ao nirvana

Sobre suplicar pela não entrada no nirvana final, agora mesmo, nos mundos das dez direções, há muitos budas prestes a passar ao nirvana — isso estimula o abandono das visões que consideram os fenômenos como sendo permanentes e a diligência entre praticantes que estão perdendo tempo. Dirigindo-se a tais budas, suplique para que não passem ao nirvana final. Sobre isso, é ensinado (no mesmo texto):

Com mãos em prece, suplico aos vitoriosos
inclinados a passar além do sofrimento:
por favor não nos deixem na cegueira,
permaneçam por incontáveis eras!

Isso conclui a explicação sobre solicitar (ensinamentos) e suplicar (pela permanência de budas).

  1. Dedicação do mérito

Dedicar as raízes de virtude é oferecer todos os atos positivos essenciais já realizados, como uma causa exclusiva para a remoção do sofrimento e para a realização da felicidade de todos seres sencientes. Sobre isso, é dito (Engajamento na Ação Bodisatva), entre mais menções:

Desse modo, através do mérito que eu
tenha acumulado com toda esta prática
(dos sete ramos), que todo o sofrimento
de todos os seres seja removido.

É preciso dedicar assim. Isto conclui a explicação da preparação para a cerimônia (do voto bodisatva na tradição de Shantideva).

Parte principal da cerimônia#

Na cerimônia em si, os versos de compromisso são recitados. Isso é feito como descrito na Compilação de Todos os Preceitos: na vida anterior do venerável Manjushri, quando era o Rei Amba, ele recebeu a geração da boditchita e o voto bodisatva de uma só vez, diante do Buda Megharava. Do mesmo modo, nós também devemos recebê-los juntos, conforme a escritura (Sutra que Expressa as Qualidades da Terra Pura de Manjushri):

Pela existência cíclica sem início,
pelo tempo que ela durar,
engajo-me na atividade ilimitada
de beneficiar seres sencientes.
Aqui diante dos Protetores do Mundo,
dou nascimento à sublime mente do despertar...

Isso e o restante do compromisso são repetidos três vezes.

Ou então o voto deve ser recebido conforme enunciado resumidamente nos versos de Engajamento na Ação Bodisatva, que dizem:

Assim como sugatas do passado
deram nascimento à mente do
despertar, e seguiram as etapas do
treinamento bodisatva,
do mesmo modo, para o benefício
dos seres, darei nascimento à mente
do despertar, e seguirei as
etapas desse treinamento.

Isso é repetido três vezes.

Caso deseje receber a geração da boditchita e o voto bodisatva separadamente, ao recitar seus respectivos versos, cada compromisso é recebido.

Isto conclui a explicação sobre a parte principal da cerimônia (do voto bodisatva na tradição de Shantideva).

Conclusão da cerimônia#

Na conclusão da cerimônia do voto bodisatva, oferendas de agradecimento são feitas às Três Joias. Devem ser cultivadas alegria — com a contemplação do grande propósito envolvido — e imenso entusiasmo. Sobre isso, é dito (Engajamento na Ação Bodisatva):

Pessoas com tal discernimento,
que geram de modo excelente a boditchita,
se animam assim, para não apenas se engajar nas ações,
mas também para expandi-las...
(e as estrofes que seguem_)_

Isto conclui a explicação sobre a preparação, parte principal e conclusão da cerimônia do voto bodisatva na tradição de atcha-rya Shantideva.

Tradição de Serlingpa#

Sobre a tradição do eminente Maitreya, recebida por atcharya Asanga, que chegou à linhagem do grandioso Serlingpa21, há duas partes: a geração da boditchita da aspiração e o recebimento do voto da aplicação.

Geração da boditchita da aspiração#

Esta primeira parte se divide em três: preparação, parte principal e conclusão.

Preparação

Há três partes na preparação: súplica, acumulações e abrigar-se no refúgio especial.

  1. Súplica

Nesta primeira parte, a pessoa em treinamento que aspira pelo cultivo da mente do despertar deve ir até um professor espiritual que possui as características genuínas e, em sua frente, prestar reverências. Esse professor deve dar instruções para o cultivo da desilusão com a existência cíclica, compaixão por seres sencientes, aspiração pela budeidade, fé nas Três Joias e devoção ao mestre.

Em seguida, a pessoa repete após o professor:

Mestre espiritual, por favor considere-me. Da mesma maneira que tathagatas que derrotaram o inimigo, budas perfeitamente iluminados, e bodisatvas que residem perfeitamente na realização dos grandes bhumis, inicialmente cultivaram a vasta mente do despertar insuperável e completamente pura, do mesmo modo, eu, que me chamo ... , peço: mestre, por favor desperte em mim a vasta mente do despertar insuperável e completamente pura.

Isso é repetido três vezes.

  1. Acumulações

Sobre realizar as acumulações (de mérito e sabedoria), primeiro prostre-se ao professor e às Três Joias. Depois, entregue as oferendas que foram preparadas junto com oferendas visualizadas e tudo mais.

Conforme proclamado, o voto noviço para renunciantes é recebido do abade junto com o preceptor, o voto de ordenação monástica completa é recebido da Sangha, e os dois aspectos da mente do despertar são obtidos a partir da acumulação de mérito.

Sobre isso, para alguém que possui muitos bens, pequenas oferendas não bastam, é preciso também doar bastante. No passado, bodisatvas com muitas posses doavam muito, havendo até um caso em que dez milhões de monastérios foram oferecidos para o nascimento da boditchita. Sobre isso, o Sutra da Era Excelente menciona:

O sugata Yashodatta, quando era o rei
do continente cósmico de Djambu,
ofereceu dez milhões de monastérios
ao buda Shashiketu, ao gerar inicialmente
a mente do despertar.

No entanto, para alguém que tem poucos bens, basta uma pequena oferenda. No passado, bodisatvas com poucas posses doavam pequenas coisas, havendo até o caso em que a mente do despertar foi gerada com a oferenda de um fio de palha queimando. Sobre isso, é dito (no mesmo sutra):

O sugata Arcismant, (em uma vida anterior)
na época do rei Dronkyer Tenpa,
ofereceu velas de palha ao buda Anantaprabha,
ao gerar inicialmente a mente do despertar.

Mesmo para quem não possui nenhum bem, ainda há métodos. Basta apenas fazer três reverências. No passado, já houve bodisatvas sem nenhuma posse que geraram boditchita meramente juntando as mãos em prece três vezes. Sobre isso, é dito (no mesmo sutra):

O Tathagata Gunamalin,
(em uma vida anterior) ao reverenciar três vezes
com mãos em prece o Buda Gyidenshu,
gerou inicialmente a mente do despertar.

  1. Abrigar-se no refúgio especial

A terceira parte (da preparação para gerar a boditchita da aspiração) é abrigar-se no refúgio especial. Isso deve ser feito conforme explicado anteriormente22.

Parte principal da cerimônia

Na cerimônia em si para gerar a boditchita da aspiração, o mestre espiritual deve dar estas instruções à pessoa em treinamento: “Onde quer que há espaço, há seres sencientes. Onde quer que há seres sencientes, há aflições. Onde quer que há aflições, há karma negativo. Onde quer que há karma negativo, há sofrimento. Todos esses seres sencientes sofrendo são nada menos que meus pais e mães. Todos pais e mães foram muito bondosos conosco. Desse modo, essas bondosas mães e pais estão se afogando no imenso oceano da existência cíclica, sendo atormentadas por sofrimento sem limites, sem ninguém que ofereça proteção.”

Considere o seguinte: “Quanta exaustão! Quanta agonia! Que ótimo seria se elas encontrassem conforto e se libertassem do sofrimento.” Então, engaje a mente por um tempo em amor e compaixão.

Depois, contemple: “Mas agora eu não tenho o poder para beneficiar esses seres. Então, para poder fazer isso, vou realizar aquilo que é chamado de ‘budeidade completa e perfeita’, que extingue todos os erros, realiza todas as qualidades, que é o poder de efetivar o bem de todos os seres migrantes.”

Então, a pessoa a ser treinada repete o seguinte após o mestre espiritual:

“Budas e bodisatvas nas dez direções, por favor considerem-me. Mestre espiritual, por favor considere-me. Eu, que me chamo ... , através das virtudes fundamentais surgidas da generosidade, disciplina e meditação que pratiquei, incentivei e com a qual regozijei-me, nesta vida e nas próximas, dou nascimento à insuperável, perfeitamente pura, vasta e completa mente do despertar. Assim como, no passado, tathagatas — vitoriosos sobre o inimigo, budas perfeitamente puros, conquistadores transcendentes — e eminentes bodisatvas mahasattvas — que residem perfeitamente nos grandes bhumis — inicialmente deram nascimento à grandiosa e insuperável mente do despertar perfeita, desse modo, eu, que me chamo ... , de agora em diante até que realize a essência da iluminação, também faço isso, para emancipar seres sencientes que ainda não escaparam, para libertar os que ainda estão fixados, para reavivar os que não respiram, e para retirar completamente do sofrimento aqueles que ainda não o transcenderam inteiramente.”

Ao recitar isso três vezes, o voto é recebido.

Nessa recitação, “seres sencientes que ainda não escaparam” são os seres no inferno, fantasmas famintos e animais que ainda não saíram do sofrimento dos destinos inferiores que são como um oceano. “Emancipar” é trazê-los para o caminho nos destinos superiores, libertando-os do sofrimento dos destinos inferiores, para que obtenham renascimentos humanos ou divinos.

Seres “que ainda estão fixados” são deuses e humanos, já que ainda não estão livres das amarras das aflições, que são como correntes de ferro. “Libertar” significa trazê-los para o caminho do bem genuíno (nirvana), para que realizem a liberação em relação às amarras das aflições.

Seres “que não respiram” são shravakas e pratyekabudas, já que ainda não têm o sopro vital Mahayana. “Reavivar” significa fazer com que gerem a sublime boditchita, tendo assim o sopro vital da visão e conduta Mahayana, para que realizem os dez bhumis bodisatva.

“Aqueles que ainda não transcenderam inteiramente” (o sofrimento) são bodisatvas, já que ainda não realizaram o nirvana sem fixação23. “Retirar completamente do sofrimento” é guiá-los gradualmente pelos níveis e caminhos bodisatva, para que transcendam completamente o sofrimento, realizando a budeidade.

Nesses quatro níveis, a palavra “para” indica o compromisso de agir para efetivar esses objetivos e realizar a budeidade.

Conclusão

A pessoa em treinamento se regozija, cultivando imenso deleite ao contemplar o nascimento desse grande propósito. Os preceitos do treinamento também são pronunciados.

A pessoa que assim dá nascimento à mente do despertar é chamada de “bodisatva” (byang chub sems dpa’), porque aspira pela iluminação (byang) para o bem de seres sencientes; porque, tendo despertado entendimento (chub), há a aspiração pela libertação dos seres; há o foco mental (sems) na iluminação e nos seres sencientes; e, para isso, há força na forma de coragem (dpa’) e compaixão.

Isto conclui a explicação sobre a cerimônia para dar nascimento à sagrada mente do despertar da aspiração (na tradição de Serlingpa).

Geração da boditchita da aplicação#

O recebimento do voto da boditchita da aplicação também se divide em três partes: preparação, parte principal e conclusão.

Preparação

Há dez partes na preparação: súplica, perguntas sobre obstáculos gerais, explicação sobre a gravidade de quebrar o voto, sobre as graves consequências de sua degeneração, sobre os benefícios de receber o voto, acumulação de mérito, perguntas sobre obstáculos específicos, encorajamento, cultivo da motivação excelente e instruções resumidas.

Parte principal

Na parte principal da cerimônia da boditchita da aplicação, a pessoa em treinamento cultiva a intenção de receber o voto. O mestre espiritual então pergunta três vezes:

“Nobre criança24 — que se chama ... — você quer receber de mim — bodisatva que se chama ... — quaisquer que sejam a base do treinamento e a disciplina de todos bodisatvas do passado, quaisquer que sejam a base do treinamento e a disciplina de todas bodisatvas do futuro, quaisquer que sejam a base do treinamento e a disciplina de todos bodisatvas do presente nas dez direções deste mundo? Quer receber quaisquer que sejam o treinamento e disciplina que todas bodisatvas do passado e do futuro praticaram e todas as bases do treinamento de todos bodisatvas do presente nas dez direções deste mundo? Quer receber todas as disciplinas bodisatva, de votos, para reunir qualidades positivas, e as disciplinas para as ações que beneficiam seres sencientes?”

A pessoa em treinamento responde nas três vezes: “Sim, por favor.”

Conclusão

A conclusão da cerimônia da boditchita da aplicação tem seis partes: súplica pela consideração do mestre, explicação sobre os benefícios de adentrar a visão da sabedoria primordial, sobre não mencionar levianamente os votos, instrução breve para que o treinamento seja compreendido, oferendas em consideração pela bondade do mestre e dedicação das raízes de virtude.

Isto conclui a explicação sobre o recebimento dos votos da boditchita da aplicação, na tradição do grandioso Serlingpa.

8. Benefícios da boditchita#

Há dois tipos de benefícios do cultivo da boditchita: os enumeráveis e os inumeráveis.

Benefícios enumeráveis#

Os benefícios enumeráveis se referem à boditchita da aspiração e da aplicação.

Boditchita da aspiração#

A boditchita da aspiração tem oito benefícios: ela permite a entrada no Mahayana, é a base para todo o treinamento bodisatva, corta na raiz todas as ações negativas, planta a raiz da iluminação insuperável, um mérito imensurável será obtido, todos budas se deleitam, todos seres se beneficiam e a budeidade perfeita e manifesta é rapidamente realizada.

  1. Entrada no Mahayana

A explicação do primeiro benefício é que a pessoa que não gerou a sublime mente do despertar, mesmo que realize uma atividade excelente, ainda não adentrou a esfera Mahayana. Sem isso, a budeidade perfeita não é realizada. Já alguém que gerou a sublime boditchita adentrou o Mahayana. O texto Níveis Bodisatva também afirma:

No momento em que essa mente nasce, a pessoa adentra o Grande Caminho do despertar insuperável.

  1. Base para o treinamento bodisatva

O significado do segundo benefício é que se não houver a mentalidade que aspira pela realização da iluminação — a chamada boditchita da aspiração — não há sentido em iniciar e manter as três disciplinas25, que são chamadas de “treinamento bodisatva”. Já se houver essa mente que aspira pela realização da iluminação, as três disciplinas podem ser iniciadas e mantidas, tendo essa mente como a base do treinamento. O texto Níveis Bodisatva diz:

O nascimento dessa mente é a base dos treinamentos bodisatva.

  1. Cortar ações negativas pela raiz

O significado do terceiro ponto é que a virtude remedia a ação negativa; e a mente do despertar é suprema entre as virtudes. Assim, com o nascimento de tal antídoto, essa é a própria qualidade que extingue os fatores adversos. Sobre isso, é ensinado (em Engajamento na Ação Bodisatva):

A boditchita, como o fogo do final dos tempos,
queima certeira e instantaneamente
ações negativas intensas.

  1. Plantar a raiz da iluminação

O significado do quarto benefício é: o contínuo mental dos seres, que é como o solo, entra em contato com a umidade do amor e compaixão, e tem ali plantada a mente do despertar, que é como uma raiz. Então, brotam os 37 fatores da iluminação, que são os ramos. A budeidade perfeita que é o fruto, tendo amadurecido, faz surgir o benefício para seres sencientes.

Assim, ao gerar a mente do despertar, a raiz da iluminação é plantada. O texto Níveis Bodisatva afirma:

O nascimento dessa mente é a raiz da perfeita e insuperável budeidade.

  1. Mérito imensurável

O quinto benefício é a obtenção de uma quantidade imensurável de mérito. O Sutra Solicitado Pelo Leigo Viradatta diz:

Qualquer que seja o mérito da boditchita,
se ele tivesse forma,
preencheria todo o elemento espaço
e seria ainda maior.

  1. Budas se deleitam

O quinto benefício da boditchita é que todos budas se deleitam. O Sutra Solicitado Pelo Leigo Viradatta afirma:

Se alguém preenchesse de joias completamente
tantas terras búdicas quanto
os milhões de grãos de areia no rio Ganges,
e oferecesse isso aos sugatas;
e outra juntasse as mãos em prece,
inclinando a mente à iluminação,
esta oferenda sim tem excelência especial
— ela não tem limites.

  1. Todos seres se beneficiam

O sétimo ponto é que a boditchita beneficia todos seres sencientes. É como diz o eminente Sutra da Exibição da Árvore:

Já que beneficia todos seres do mundo, é como uma fundação.

  1. A budeidade é rapidamente realizada

O oitavo benefício é que a budeidade perfeita e manifesta será realizada rapidamente. O texto Níveis Bodisatva menciona:

Se essa mente nascer, não há permanência nos dois extremos26, havendo rapidamente a iluminação completa e manifesta.

Boditchita da aplicação#

Os benefícios enumeráveis da boditchita da aplicação são dez: além dos oito anteriores, há o surgimento contínuo de benefício para si e todo tipo de bem alheio é realizado.

Benefício para si

Quando a boditchita da aplicação nasce, diferentemente da anterior, o poder do mérito surge ininterruptamente a todo momento, mesmo durante o sono, inconsciência, em ações distraídas etc. Sobre isso, Engajamento na Ação Bodisatva diz:

A partir do momento em que a mente
do despertar é adotada por completo,
daí em diante, até no sono
ou em momentos de desatenção,
um mérito vasto e ininterrupto
surge de fato, em extensão como o espaço.

Benefício alheio

Sobre o surgimento de todo tipo de benefício alheio, o sofrimento de todos seres é dissipado, seu bem-estar é realizado e suas aflições são cortadas. Sobre isso, Engajamento na Ação Bodisatva afirma:

Sobre quem satisfaz com todo conforto
os destituídos e atormentados
por muita adversidade,
extirpando todo seu sofrimento,
removendo até a ignorância,
qual virtude se compara a isso?
Onde mais há uma amizade assim?
Onde mais há mérito assim?

Benefícios inumeráveis#

Os benefícios inumeráveis da boditchita são todas as qualidades que surgem de agora até a budeidade. Isso não é calculável.

9. Desvantagens de abandonar a boditchita#

Há três desvantagens de abandonar a mente do despertar: ir para destinos inferiores, degeneração da atividade pelo bem alheio e grande atraso na realização dos níveis bodisatva.

Ir para destinos inferiores#

Na primeira desvantagem, o não cumprimento do compromisso e o abandono da boditchita enganam seres sencientes. O amadurecimento disso é nascer em destinos inferiores. Sobre isso, o texto Engajamento na Ação Bodisatva menciona:

Se tomei esse voto, caso não
me engaje nas ações, todos os seres
sencientes serão enganados.
Diante disso, qual será meu destino?

Degeneração do benefício alheio#

Sobre a incapacidade de beneficiar outros seres, é dito (no mesmo texto):

Quando isso ocorre, o benefício de todos
os seres sencientes é reduzido.

Atraso na realização bodisatva#

Sobre a realização dos níveis bodisatva demorar muito tempo, é dito (no mesmo texto):

Seguir neutralizando a força da boditchita
com a força de tal queda durante
a existência cíclica adia a realização
do nível bodisatva por um tempo enorme.

10. Causas para a perda da boditchita#

Há dois tipos de causas para a perda do cultivo da mente do despertar: causas ligadas à boditchita da aspiração e as da aplicação.

No primeiro tipo, o que leva à perda da boditchita da aspiração é mentalmente abandonar qualquer ser, engajar-se nos quatro atos obscuros27 e cultivar uma mentalidade incompatível.

Sobre as causas da perda do voto da boditchita da aplicação, o texto Níveis Bodisatva afirma:

É explicado que o voto é perdido se houver engajamento em algum dos quatro atos que são como derrotas28, com envolvimento intenso. Com envolvimento médio e pequeno, isso é uma transgressão menor.

Já o texto Vinte Votos explica que, além disso, se houver perda da boditchita da aspiração, a da aplicação também é perdida. A Coletânea de Ensinamentos Definitivos diz que há quatro causas para a perda do voto bodisatva: os dois primeiros (da boditchita da aspiração), desistir do treinamento e cultivar visões invertidas. Atcharya Shantideva também afirmou que o cultivo de uma mentalidade incompatível causa o abandono do voto.

11. Métodos para recuperar a boditchita#

Sobre os métodos de restauração caso o compromisso seja perdido, para a perda do cultivo da aspiração, receber esse voto novamente o restabelece. No caso da perda da boditchita da aplicação devido à perda do voto de aspiração, ao restaurar a aspiração, a aplicação também é automaticamente restabelecida.

Caso o voto da aplicação seja perdido por algum outro motivo, ele deve ser recebido novamente. Se houver engajamento nos quatro atos que são como derrotas, com envolvimento médio ou menor, basta confessar. Sobre isso, a escritura Vinte Votos diz:

É preciso receber de novo o voto.
Já para uma corrupção média, confesse a três pessoas.
Para as restantes, confesse para uma pessoa.
No caso de (quebra devido a) aflições,
ou sua ausência, use a própria mente.29

Este foi o “Capítulo 9 – Adoção perfeita da mente do despertar”, do Ornamento da Liberação Preciosa, o Dharma Sagrado que é Como Uma Joia que Realiza Desejos.


1 O sumário com todos os pontos está no início do capítulo “Ensinamento sobre o cultivo da mente do despertar”.

2 Os cinco estágios de realização no caminho bodisatva, que serão explicados no capítulo 18.

3 Sabedorias sobre a base, o caminho e a da onisciência.

4 Os exemplos desse parágrafo correspondem às Dez Perfeições. Quando as Seis Perfeições (cap. 11 ao 17) são relacionadas com os dez níveis bodisatva, são adicionadas mais quatro qualidades.

5 “Deleite” (ou Deleite Intenso) é o nome do 1º nível (bhumi) bodisatva.

6 No Mahayana, o objetivo não é obter o nirvana como uma negação do samsara, mas sim a budeidade que beneficia todos os seres.

7 “Dharani” (tib.: gzungs), neste contexto, se refere a uma habilidade extraordinária de armazenar e transmitir o Dharma.

8 “Caminho especial” se refere ao 8º nível bodisatva até o 10º.

9 Série de feitos que budas encenam como um método para inspirar e beneficiar seres sencientes.

10 “Símbolo genuíno” se refere a um ritual.

11 “Deleitar budas” não se refere essencialmente a fazer oferendas, louvores etc, mas sim praticar de modo perfeito até a realização.

12 “Pureza de conduta” se refere a manter votos recebidos, principalmente os monásticos.

13 Essa sequência é chamada de “Sete Ramos”, um conjunto de práticas amplamente utilizado em liturgias — a adição no início da “reverência” (que já foi abordada no contexto do refúgio) totaliza sete partes.

14 Em outros textos ou ensinamentos.

15 Fazer uma pessoa arhat perder a ordenação, matar intencionalmente uma pessoa bodisatva, matar uma praticante, apropriar-se de bens da Sangha e destruir uma estupa.

16 Compromissos Vajrayana.

17 Alunos do Buda que, como Angulimala, abandonaram negatividades intensas e chegaram à realização. Essas histórias serão exemplificadas.

18 O primeiro dos quatro níveis de realização shravaka.

19 Eliminando assim os futuros danos de uma inundação.

20 Na Índia, práticas de cura envolvendo mantras e outros “encantamentos” eram comuns, sem relação com o budismo.

21 Serlingpa foi o principal mestre de Atisha, e sua linhagem (conectada à tradição Yogatchara) é uma das principais fontes da escola Kadampa.

22 No “Capítulo 8 | Refúgio | 6. Cerimônia | Cerimônia especial”.

23 Sem fixação na dualidade de samsara e nirvana.

24 Quem possui a descendência Mahayana é como uma filha ou filho de budas e bodisatvas. O Buda muitas vezes se dirigia assim às pessoas em treinamento.

25 Evitar desvirtude, realizar virtudes e beneficiar seres.

26 Extremos do samsara e nirvana.

27 Esses atos serão explicados no capítulo 10.

28 “Quatro atos que são como derrotas” se referem à quebra dos quatro principais votos monásticos ou leigos: matar, roubar, mentir e conduta sexual imprópria. “Envolvimento intenso” implica quatro fatores: há uma prática regular disso, não há o menor arrependimento, há regozijo e há a crença de que isso é bom. Sem um ou mais fatores, o envolvimento é reduzido.

29 “Corrupção média” se refere a cometer um dos quatro atos com um grau de envolvimento médio. Nesse caso, a confissão deve ser feita para um grupo de, pelo menos, três pessoas. Corrupções “restantes” indicam um envolvimento menor. As duas últimas linhas se referem a transgredir os preceitos secundários sob a influência de aflições, ou não. Nesse caso, é possível restaurar a boditchita com uma confissão que usa a própria mente como testemunha.